Com projeção de movimentar R$ 5,3 bilhões em 2025, a Páscoa se consolida como uma das datas mais relevantes para o varejo brasileiro. Segundo levantamento realizado pela Abecs e o Instituto Datafolha, o valor representa um crescimento de 26,8% em relação ao ano anterior. Sete em cada dez brasileiros afirmam que vão comprar chocolates ou presentes, com um gasto médio estimado em R$ 146 por pessoa. O ovo de Páscoa lidera as intenções de compra (64%), seguido por bombons e barras de chocolate, confirmando a força simbólica e comercial da data.
A pesquisa aponta também um comportamento marcante: a preferência por compras em lojas físicas permanece dominante, com 91% dos consumidores optando por esse canal. Isso indica que, mesmo com o avanço do e-commerce, a experiência presencial ainda exerce grande influência nas decisões de compra — especialmente entre os consumidores com mais de 60 anos. Para marcas e varejistas, isso exige atenção redobrada ao ponto de venda físico, com estratégias que unam exposição atrativa, pronta entrega e atendimento eficiente. Ainda assim, 26% dos entrevistados afirmaram que pretendem comprar de vendedores autônomos, o que reforça o papel dos pequenos negócios e das redes de contato na movimentação da economia nesta época.
O parcelamento se confirma como ferramenta decisiva para estimular as vendas. Entre os que usarão cartão de crédito ou de loja, 45% pretendem parcelar as compras — comportamento mais frequente entre mulheres e consumidores com mais de 60 anos. Isso mostra como ações promocionais que facilitam o pagamento, como ofertas sem juros ou descontos progressivos, podem ser decisivas para converter o interesse em compra. Outro dado relevante é a preferência por cartões entre as classes A/B (58%), que enxergam nas condições de crédito e nos programas de recompensa uma vantagem adicional.
A regionalização também influencia o comportamento de consumo: o Sudeste lidera em volume de movimentação (R$ 2,3 bilhões), enquanto o Sul apresenta o maior tíquete médio (R$ 178). Já o Nordeste e o Norte, mesmo com médias mais baixas de gasto individual, ainda somam valores expressivos em movimentação. Esses recortes evidenciam a importância de estratégias segmentadas, tanto em campanhas de marketing quanto na oferta de produtos. Combinando tradição, desejo e oportunidade, a Páscoa se mostra mais do que uma celebração religiosa — é um termômetro do apetite de consumo e da sensibilidade do mercado para adaptar-se às novas demandas do público.