De olho em 2026, Meta anuncia mudança na forma de armazenamento dos anúncios políticos

Com as eleições de 2026 no horizonte, a Meta anunciou uma mudança na forma como armazena anúncios políticos em sua plataforma. A partir deste ano, a empresa começará a remover gradualmente da sua biblioteca pública os anúncios antigos relacionados à política, eleições e temas sociais. Essa biblioteca, criada em 2018 após pressão do Congresso americano por mais transparência digital, foi um marco ao reunir de forma acessível os dados sobre quem pagou pelos anúncios, para quem foram direcionados e quanto tempo ficaram no ar.

Na época do lançamento, a Meta (então Facebook) estabeleceu que os conteúdos arquivados permaneceriam disponíveis por até sete anos. Agora, com o fim desse prazo se aproximando para os primeiros anúncios, as exclusões começam a acontecer. Embora essa decisão esteja dentro das regras previamente estabelecidas, levanta preocupações para jornalistas, pesquisadores e entidades de fiscalização eleitoral. Como muitos dos anúncios digitais são segmentados de forma automatizada e invisível ao público, a biblioteca servia como única fonte aberta para análise de estratégias eleitorais.

Vale lembrar que esse repositório nasceu como resposta às revelações de que agentes russos haviam comprado anúncios no Facebook durante a eleição presidencial americana de 2016. Desde então, o acesso a esses dados permitiu identificar táticas que os candidatos preferiam manter longe dos olhos do eleitor comum. Um exemplo notável foi o uso de segmentações diferentes por um mesmo candidato, como a campanha de Kamala Harris, que veiculou mensagens pró-Israel para eleitores da Pensilvânia enquanto, ao mesmo tempo, falava sobre Gaza para eleitores de Michigan.

Apesar da relevância do tema e do crescimento dos anúncios políticos digitais, os Estados Unidos ainda não aprovaram leis que obriguem plataformas a manter esse nível de transparência. Para o Brasil, onde a digitalização das campanhas eleitorais avança rapidamente, o apagamento gradual desses dados nos próximos meses pode representar um desafio extra no esforço por eleições mais transparentes e fiscalizadas.