Marketing sensorial está ganhando espaço em um consumo guiado por bem-estar

Em um contexto marcado por crises sucessivas e saturação de estímulos digitais, estratégias de marketing sensorial vêm ganhando força como resposta à busca dos consumidores por bem-estar e conexão emocional. Dados de comportamento analisados pela WGSN indicam que produtos e experiências associados a prazer, leveza e emoções positivas passaram a ter maior relevância nas decisões de compra. Segundo a consultoria, esse movimento se consolida na tendência chamada de Alegria Estratégica, projetada como um eixo central das estratégias de consumo e comunicação até 2027.

O avanço do marketing sensorial está diretamente ligado à valorização de experiências capazes de impactar o humor e gerar conforto emocional. No relatório The Happiness Spectrum, a WGSN aponta que pequenos momentos de prazer tiveram papel importante para reduzir sentimentos de medo e incerteza durante a pandemia, influenciando escolhas de consumo em diferentes mercados. Em uma pesquisa global da consultoria, 30% dos entrevistados afirmaram dedicar mais tempo e recursos a experiências prazerosas, como viagens e refeições fora de casa, enquanto 57% dos consumidores nos Estados Unidos dizem gastar mais com marcas que promovem senso de conexão.

Nesse cenário, estimular apenas a visão ou a audição já não é suficiente. Uma análise publicada em 2024 na Corporate Reputation Review mostrou que estímulos sensoriais múltiplos influenciam diretamente o apego emocional e a satisfação do consumidor, com impacto mensurável na experiência de marca. O estudo identificou cinco tipos de estímulos sensoriais relevantes para esse vínculo, reforçando que abordagens multissensoriais tendem a ser mais eficazes do que comunicações focadas em um único sentido.

Pesquisas da Saïd Business School da Universidade de Oxford também indicam que experiências multissensoriais devem ganhar ainda mais espaço nos próximos anos, especialmente em ambientes físicos. Ou seja, ativações presenciais com elementos táteis, interativos ou inesperados voltam a ter valor estratégico. O marketing sensorial responde a uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, que passa a priorizar experiências significativas e emocionalmente relevantes como parte central de suas escolhas de consumo.