Em 2024, o Google retirou do ar 201,2 milhões de anúncios apenas no Brasil, número que impressiona não só pela escala, mas também pela mensagem que carrega: o Brasil é hoje um dos mercados mais relevantes para o ecossistema global de publicidade da big tech. Foi justamente essa importância estratégica que motivou, pela primeira vez, a divulgação pública dos dados de segurança relacionados ao país. Segundo Priscila Couto, líder de programas de confiança e segurança do Google na América Latina, os anúncios barrados passaram por uma triagem rigorosa, com apoio de inteligência artificial, antes mesmo de chegarem ao público.
A maior parte dessas remoções tem origem em cinco tipos principais de violações das políticas de anúncios da empresa. A primeira delas é o uso indevido de marcas registradas, ou seja, anúncios que usam nomes e símbolos de empresas conhecidas sem autorização. A segunda é a deturpação, quando um anúncio esconde ou distorce informações para enganar o usuário ou direcioná-lo a sites de phishing. Também aparecem com frequência os anúncios de jogos de azar sem licença brasileira, além do abuso da rede de anúncios, prática em que anunciantes tentam burlar os sistemas de verificação do Google. Por fim, há os casos que violam diretamente legislações locais, o que também resulta em suspensão imediata.
Essas ações não afetam apenas os anúncios em si, mas podem levar à suspensão definitiva de contas: foram 1,3 milhão no Brasil em 2024, com bloqueio por CNPJ. Em casos mais graves, o anunciante só pode voltar a operar após mudar sua razão social e passar por todo o processo de verificação novamente. Isso mostra o quanto o Google tem endurecido o cerco contra abusos, inclusive com o uso de modelos de linguagem que demandam menos dados para identificar ameaças emergentes. Em 2024, mais de 50 melhorias foram aplicadas nesses modelos, acelerando a resposta contra fraudes e conteúdos nocivos.
A atuação firme do Google no Brasil também reflete uma nova realidade: o mercado publicitário digital local cresceu em volume e complexidade, o que atrai não só grandes marcas, mas também golpistas. O volume de anúncios removidos e contas suspensas não é apenas um sinal de alerta, mas também uma evidência clara de que o Brasil é hoje um dos polos mais dinâmicos e monitorados da publicidade online global.