O relatório de tendências para 2026 do TikTok, divulgado em janeiro, aponta uma mudança de foco que vai além de novas ferramentas ou automação. Segundo Cassie Taylor, diretora global de marketing de plataforma e tendências, o conceito central do estudo é o que a empresa chama de Irreplaceable Instinct, ou instinto insubstituível, que reúne aspectos que a tecnologia não consegue automatizar, como curiosidade, conexão cultural e presença. Para ela, o comportamento do usuário não indica rejeição à tecnologia, mas uma escolha mais consciente sobre como utilizá-la, priorizando interações que façam sentido emocional.
Um dos sinais identificados é a transição de comportamentos mais passivos para uma postura de participação ativa. De acordo com Taylor, se em anos anteriores era comum observar distanciamento e consumo automático de conteúdo, agora há um movimento de engajamento coletivo, em que usuários compartilham rotinas de trabalho, inseguranças profissionais e dilemas cotidianos. Essa tendência, chamada de Reali-Tea no relatório, sugere que conteúdos mais realistas e conversas abertas geram maior identificação. Ou seja, a relevância deixou de ser apenas estética e passou a depender da capacidade de refletir experiências reais com empatia.
Outro ponto destacado é a quebra da lógica linear do funil de marketing. Taylor afirma que a descoberta no Tik Tok ocorre de forma lateral e imprevisível. Usuários podem iniciar uma busca com uma intenção específica e terminar explorando temas completamente diferentes, guiados pela curiosidade. Moritz Bartsch, chefe de operações criativas do TikTok, explica que dados analisados por meio da ferramenta TikTok Market Scope mostram que as jornadas misturam descoberta, conversa e compra sem uma sequência fixa. Isso indica que classificar a plataforma apenas como topo ou fundo de funil pode limitar a compreensão de como as pessoas realmente navegam e tomam decisões.
Por fim, o relatório aponta uma mudança nas motivações de compra, resumida no conceito de Emotional ROI. Segundo Taylor, decisões por impulso estariam cedendo espaço a escolhas mais intencionais, em que consumidores avaliam como determinado produto se conecta à sua identidade e comunidade. Mesmo em contextos de restrição orçamentária, a pesquisa do TikTok sugere que significado e pertencimento influenciam mais do que preço isoladamente. Para quem atua em marketing, os sinais analisados pela liderança da plataforma indicam que dados continuam essenciais, mas interpretação humana e sensibilidade cultural se tornaram diferenciais estratégicos.