Kidult: entenda o comportamento de quando a infância ganha espaço no consumo adulto

O fenômeno conhecido como kidult, junção das palavras kid (criança) e adult (adulto), vem crescendo em todo o mundo e mudando a forma como entendemos o consumo de brinquedos e jogos. A ideia central é simples: adultos buscam nos itens ligados à infância uma forma de lazer, escapismo e até de conexão social. Isso inclui desde jogos de tabuleiro até colecionáveis, como cartas de Pokémon e figuras de ação, produtos que antes eram vistos como exclusivos do universo infantil.

Dados recentes mostram a força desse movimento. Nos Estados Unidos, as vendas voltadas para maiores de 18 anos cresceram 12% no primeiro trimestre de 2025, movimentando 1,8 bilhão de dólares, enquanto no Brasil a categoria de colecionáveis avançou 18% em um ano, índice três vezes superior ao crescimento médio do setor. Esse aumento não acontece por acaso. A pandemia acelerou a tendência ao colocar milhões de pessoas dentro de casa em busca de novas formas de entretenimento, e muitos adultos descobriram ou redescobriram os jogos como uma alternativa prazerosa para ocupar o tempo.

Além do impacto do isolamento, a nostalgia é um motor poderoso para o kidult. Consumir algo que remete à infância oferece conforto e funciona como um antídoto para a rotina estressante. Brinquedos, jogos e até roupas inspiradas em ícones do passado acabam criando uma sensação de pertencimento e fortalecendo vínculos sociais. Em alguns países, sair para jogar em grupo é tão comum quanto ir a um bar, e essa prática também começa a ganhar espaço entre brasileiros.

Embora seja movido por emoções e memórias, o fenômeno também tem um peso econômico. As indústrias perceberam a disposição dos adultos em investir em produtos de maior ticket médio e passaram a criar linhas específicas, com versões colecionáveis, edições limitadas e acabamentos sofisticados. Dessa forma, o kidult deixa de ser apenas um comportamento curioso para se tornar um segmento de consumo em expansão, mostrando que brincar não é exclusividade da infância.