Com o preço dos alimentos acumulando uma alta de 162% entre 2012 e 2024, segundo dados do FGV Ibre, o varejo brasileiro enfrenta um cenário desafiador. A inflação puxada por fatores como câmbio, clima e mercado agrícola tem mudado o jeito como o consumidor compra. Em vez de visitas frequentes ao supermercado, as compras estão mais concentradas na primeira semana do mês e com foco em itens essenciais. Essa mudança de comportamento exige que as marcas reajam com inteligência, buscando relevância sem perder de vista o bolso apertado do consumidor.
O impacto da alta nos preços não é sentido de forma igual. Os consumidores das classes C, D e E são os mais afetados, pois comprometem uma parcela maior da renda com alimentação. Como reflexo, o varejo alimentar viu uma queda de 0,6% nas unidades vendidas nos primeiros quatro meses de 2025, segundo a Scanntech. Para se adaptar, grandes redes como o Carrefour têm ajustado suas promoções conforme o ciclo do mês: ofertas mais agressivas na primeira semana e foco em produtos de marca própria ou de maior rendimento nas semanas seguintes.
Esse contexto, apesar de difícil, abre espaço para marcas que saibam conversar com o novo perfil de consumo. Produtos com bom custo-benefício, embalagens menores, opções mais versáteis e comunicação centrada em utilidade ganham força. Além disso, iniciativas como o cashback têm se mostrado eficazes: segundo levantamento da IZIO&Co, consumidores que recebem esse tipo de benefício gastam em média 85% a mais. Até pequenos negócios já adotam a prática, como mostrou o Sebrae em 2023, com 6,5 milhões de empresas oferecendo esse tipo de incentivo.
Mais do que vender, o desafio agora é gerar valor prático. Marcas que ajudam o consumidor a fazer escolhas mais inteligentes, com dicas de reaproveitamento, receitas econômicas e informações sobre produtos da estação, conquistam espaço e confiança.