O excesso de estímulos e a hiperconexão constante vêm deixando marcas na rotina dos brasileiros. É o que mostra o estudo Backlash Edges, realizado pela unidade de inteligência cultural da TBWA, que analisou os comportamentos emergentes no país com base em entrevistas com mais de 500 pessoas. O levantamento revela que, após anos mergulhados em telas e notificações, os brasileiros estão repensando suas prioridades e buscando formas de se reconectar com o corpo, a mente e o tempo livre.
Entre os principais achados, está a valorização da saúde mental e física como um estilo de vida prazeroso, e não mais como uma obrigação. O cuidado com o bem-estar psicológico tem deixado de ser tabu, abrindo espaço para novas conversas e hábitos. Ao mesmo tempo, o uso da tecnologia para prolongar a juventude e otimizar o corpo começa a ganhar mais adesão, indicando um novo tipo de relação entre inovação e autocuidado. Tudo isso reflete um desejo por qualidade de vida mais integrada e consciente.
No entanto, o dado mais revelador talvez esteja no movimento de “reset pessoal”. De acordo com o estudo, os brasileiros estão exaustos de ficarem conectados o tempo todo. A busca por momentos offline, atividades que acalmem a mente e até mesmo o ócio como forma de bem-estar mostram que a desconexão deixou de ser um luxo e passou a ser uma necessidade. Esse comportamento começa a interferir diretamente no modo como as pessoas consomem: com mais seletividade, menos impulso e maior interesse por experiências reais.
Ou seja, o consumidor que antes queria estar sempre online agora valoriza marcas que respeitam seu tempo, que criam experiências menos invasivas e que dialogam com esse desejo de equilíbrio. Em vez de competir por atenção o tempo todo, as empresas terão de aprender a ser relevantes também nos momentos de pausa. Afinal, numa era de excesso, oferecer menos (e com mais propósito) pode ser o verdadeiro diferencial.