74% dos brasileiros já usam IA no trabalho, mas 47% aprenderam sozinhos. O desafio agora é qualificar — não apenas adotar — a inteligência artificial.
O Brasil está abraçando a inteligência artificial — mas sem dominá-la de fato.
Segundo o estudo “Work: In Progress”, realizado pelo Google Cloud em 2025, 74% dos profissionais brasileiros já usam assistentes de IA no dia a dia.
Porém, quase metade (47%) aprendeu sozinha. E isso expõe um desafio: a adoção cresceu mais rápido que a qualificação.
Os brasileiros realmente estão usando IA no trabalho?
Sim. A maioria dos profissionais no país já incorpora ferramentas de IA em suas rotinas.
Elas são usadas para análise de dados, tradução, busca de informações, revisão de textos e e-mails.
Para 54% dos usuários, o principal benefício é a velocidade na entrega de resultados.
Ainda assim, grande parte explora apenas as funções básicas, sem atingir o potencial estratégico da tecnologia.
A IA virou rotina, mas não virou diferencial competitivo — ainda.
O que explica esse uso limitado?
A pesquisa do Google Cloud mostra que 47% aprenderam a usar IA de forma autodidata, principalmente pela internet.
Essa realidade revela uma lacuna de formação técnica e ética.
Segundo Alberto Zafani, head do Google Workspace Brasil, o país vive uma “fase de pós-acesso”: as ferramentas estão disponíveis, mas falta domínio técnico e estratégico dentro das empresas.
Menos de 50% das organizações oferecem treinamentos estruturados em IA.
Ou seja, temos acesso — mas ainda não sabemos usar com propósito e profundidade.
O aprendizado autodidata é suficiente?
Não. Aprender sozinho é um bom começo, mas não basta.
Os especialistas alertam: para dominar a IA, é preciso educação prática e contínua.
Isso significa ir além dos tutoriais e compreender como, quando e por que aplicar IA em cada contexto.
Formações estruturadas ajudam a desenvolver competências técnicas e éticas, fundamentais para usar IA de forma segura e eficiente.
A transformação digital real passa pela qualificação humana, não apenas pela automação de tarefas.
Existem empresas investindo em capacitação?
Sim — e um dos exemplos mais fortes é a Deloitte.
A consultoria criou uma Academia de IA para treinar 7 mil funcionários no Brasil.
O programa ensina uso ético e estratégico das ferramentas, preparando equipes de diferentes áreas para aplicar a tecnologia no dia a dia.
Essa iniciativa mostra que o futuro da IA no trabalho depende da formação, não apenas da adoção.
Empresas que entenderem isso primeiro terão vantagem competitiva sustentável.
O que as empresas ganham ao treinar seus times em IA?
Investir em formação cria profissionais mais produtivos, analíticos e estratégicos.
Eles passam a usar IA para resolver problemas reais, e não apenas para automatizar tarefas.
Além disso, reduz riscos éticos, melhora a qualidade das decisões e aumenta a eficiência operacional. A IA deixa de ser ferramenta e se torna parte da cultura corporativa.
O aprendizado estruturado é o que transforma curiosidade em competência.
Em resumo
O Brasil entrou de vez na era da inteligência artificial — mas ainda está aprendendo a dominá-la.
A próxima fase não será sobre quem usa IA, e sim quem sabe usá-la bem.
A qualificação é o novo diferencial competitivo. E o profissional que entender isso hoje será o protagonista da transformação digital de amanhã.