A Black Friday de 2025 deve movimentar R$13,6 bilhões no Brasil, segundo estudo da Gauge, um crescimento de 16,5% em relação ao ano anterior. O volume de pedidos deve chegar a 17,2 milhões, com ticket médio de R$808, números que refletem não apenas o avanço do varejo, mas também a transformação no comportamento do consumidor.
Uma das mudanças mais visíveis é a antecipação das compras. Metade dos brasileiros já começa a procurar ofertas com até 30 dias de antecedência, e muitos aproveitam campanhas de pré-Black Friday. Essa diluição ao longo de novembro reduziu o peso da sexta-feira no faturamento total, que caiu de 52% em 2021 para 46% em 2024, reforçando que o evento se tornou um mês inteiro de promoções.
A preferência por categorias também está mudando. Se antes eletrônicos e eletrodomésticos dominavam, agora roupas, perfumes e produtos de beleza ganham espaço, com crescimentos entre cinco e sete pontos percentuais na intenção de compra. Esse movimento está ligado ao desejo por itens de uso cotidiano e recompensas rápidas, tendência popularizada por e-commerces asiáticos.
Outro destaque é o papel dos canais físicos e tradicionais, que voltam a ganhar força. As lojas funcionam como espaço de experimentação e validação de produtos, enquanto a TV, especialmente a conectada (CTV), se fortalece pela credibilidade. Ao mesmo tempo, experiências digitais como lives e TikTok Shop se consolidam como vitrines de conversão, e 37% dos consumidores já compraram durante transmissões ao vivo.
O cenário representa uma oportunidade para o varejo nacional. Com a taxação de importados, há espaço para marcas locais conquistarem clientes ao oferecer não apenas preço competitivo, mas também entrega rápida e garantia no Brasil. Em 2025, a Black Friday deixa de ser apenas uma corrida por descontos e se afirma como um período de consumo mais planejado, criterioso e multicanal.