O Google começou a apresentar ao mercado um novo formato de anúncios que será exibido dentro do seu modo de busca com inteligência artificial, uma experiência que já reúne mais de 100 milhões de usuários mensais nos Estados Unidos e na Índia, segundo o CEO Sundar Pichai. Diferente da busca tradicional, em que os links aparecem listados na página, o modo IA funciona de forma conversacional, respondendo a perguntas de maneira mais detalhada, semelhante ao ChatGPT e ao Perplexity. Assim, os anúncios passam a ser integrados diretamente às respostas da IA, o que representa uma mudança para marcas e consumidores.
Na prática, a decisão sobre qual anúncio mostrar não será apenas baseada em palavras-chave digitadas, mas também no conteúdo das conversas que o usuário mantém com a IA. Isso torna a publicidade mais contextual e personalizada, já que as pessoas usam esse recurso para explorar temas amplos ou resolver dúvidas complexas. Para os anunciantes, a promessa é de maior relevância, pois o consumidor estaria mais engajado em uma jornada de busca do que no modelo tradicional de cliques rápidos em links.
Apesar do potencial, o desafio do Google está em encontrar um modelo econômico sustentável. Hoje, a publicidade de busca é sustentada pelo pagamento por clique, mas em experiências de IA pode haver menos cliques, já que muitas dúvidas são resolvidas sem sair da plataforma. Por isso, discute-se se o futuro da monetização estará no custo por mil impressões, modelo já considerado por outras empresas do setor.Para as marcas, o recado é claro: a qualidade dos catálogos digitais e a precisão das informações serão cruciais para aparecer de forma competitiva nesse novo ambiente. O Google já destacou que “a higiene do feed” será determinante, ou seja, produtos bem descritos e atualizados terão mais chance de ganhar visibilidade. No curto prazo, quem já utiliza soluções automatizadas como o Performance Max tende a se beneficiar da transição, mas a grande mudança está na forma como consumidores e marcas passarão a se relacionar dentro de um cenário em que anúncios deixam de ser apenas links e passam a fazer parte da própria conversa com a inteligência artificial.