Quatro perfis, um novo mapa de consumo: como emoções e valores vão orientar decisões até 2027

A forma de consumir está passando por uma mudança estrutural que vai além de idade, renda ou localização. Segundo análises apresentadas no podcast Lives of Tomorrow: Understanding the Future Consumer: Key Personas for 2027, da WGSN, o comportamento do consumidor tende a se organizar cada vez mais a partir de motivações emocionais, limites pessoais e atitudes em relação à tecnologia e à informação. Em um contexto marcado por crises sucessivas, excesso de estímulos digitais e queda de confiança em discursos institucionais, entender esses fatores se torna estratégico para negócios que querem permanecer relevantes.

O primeiro perfil identificado é o dos guardiões da privacidade. São consumidores que buscam mais controle sobre sua vida digital e rejeitam a hiperconectividade constante. O dado de que pré adolescentes e adolescentes nos Estados Unidos recebem, em média, 237 notificações por dia ajuda a explicar o crescimento de movimentos de desintoxicação digital e a valorização de experiências mais silenciosas e intencionais. Para empresas, esse perfil indica a importância de soluções menos invasivas, com transparência no uso de dados e propostas que respeitem limites, sob risco de rejeição imediata.

Os convencionalistas representam o desejo de desacelerar. Esse grupo valoriza experiências offline, conexões humanas e momentos de descanso criativo como resposta ao ritmo acelerado da vida contemporânea. Já os novos independentes expressam um consumidor mais cético e vigilante, que questiona discursos prontos, desconfia de especialistas tradicionais e demonstra sensibilidade a práticas como o greenwashing. A WGSN aponta que a confiança tende a migrar de avaliações genéricas e conteúdos patrocinados para recomendações percebidas como mais humanas, vindas de comunidades e redes de afinidade.

Por fim, os energizadores encaram o consumo como uma forma de tornar o cotidiano mais leve e prazeroso. Humor, entretenimento e pequenas doses de alegria passam a ser parte central da proposta de valor, inclusive em produtos e serviços utilitários. Esses quatro perfis não são fixos e podem coexistir em uma mesma pessoa, variando conforme o contexto e a necessidade. Do ponto de vista estratégico, conhecê-los permite que empresas deixem de operar com segmentações rígidas e passem a desenhar experiências mais flexíveis, alinhadas a estados emocionais reais. Em um cenário menos previsível, compreender essas dinâmicas se torna um diferencial competitivo para decisões de produto, comunicação e inovação.