As discussões apresentadas no Retail’s Big Show, evento da National Retail Federation, indicam que o papel das lojas físicas no varejo passa por uma transformação estrutural. Com o avanço do agentic commerce, modelo em que agentes de inteligência artificial assumem etapas como busca, comparação e até a finalização de compras no ambiente digital, o simples ato de vender produtos tende a perder centralidade nas lojas. Segundo o que foi debatido no evento, a compra online caminha para uma lógica mais conversacional e automatizada, o que pressiona os espaços físicos a oferecerem algo que o digital não entrega sozinho.
De acordo com as análises apresentadas no evento, a relevância das lojas físicas em 2026 estará cada vez mais ligada à experiência, à interação e ao senso de comunidade. Em vez de funcionar apenas como vitrines de produtos, esses espaços tendem a se tornar locais onde o consumidor experimenta a marca, interage com outras pessoas e acessa serviços complementares. Esse movimento responde ao fato de que o consumidor já dispõe de múltiplos canais para comprar e passa a valorizar mais os pontos de contato que aprofundam a relação com a marca.
Outro papel destacado no evento é o das lojas como hubs multifuncionais dentro da jornada do cliente. O Retail’s Big Show mostrou que unidades físicas já assumem funções logísticas relevantes, como a atuação na última milha, aproximando o estoque do consumidor e reduzindo prazos de entrega. Além disso, cresce o uso das lojas como pontos de prestação de serviços, como acontece no varejo farmacêutico, e como espaços capazes de materializar fenômenos que nascem no ambiente digital, fortalecendo a conexão entre online e offline.
Por trás dessa transformação, a inteligência artificial aparece como uma infraestrutura invisível que sustenta a operação das lojas físicas. Tecnologias de dados e IA devem otimizar decisões como localização, sortimento, gestão de estoque e dimensionamento de equipes, melhorando a experiência do consumidor sem que a tecnologia seja o foco da interação. Ao mesmo tempo, o evento apontou a necessidade de rever métricas tradicionais do varejo, ainda muito centradas em vendas, para incluir indicadores de relacionamento, recorrência e contribuição da loja física ao longo de toda a jornada do cliente.