O início do primeiro trimestre costuma ser um período desafiador para o varejo brasileiro, marcado por retração no consumo após as festas de fim de ano e pela pressão de despesas obrigatórias no orçamento das famílias. Dados de uma pesquisa realizada pelo Mercado Livre com usuários de sua plataforma entre 6 e 7 de janeiro de 2026 indicam um consumidor mais cauteloso, atento a preço e menos impulsivo. Segundo o levantamento, 45% afirmam que promoções funcionam como gatilho para compras já planejadas, enquanto 60% dizem confiar em recomendações de afiliados e criadores para identificar boas oportunidades, o que sinaliza uma busca maior por segurança e racionalidade nas decisões de compra.
Esse comportamento mais organizado se reflete nas categorias que ganham destaque no período. A pesquisa do Mercado Livre mostra maior procura por itens funcionais e ligados ao início do ano, como eletrônicos, material escolar, acessórios para veículos e moda. Ao mesmo tempo, fatores sazonais como férias, verão e datas culturais, especialmente o Carnaval, mantêm a demanda por produtos ligados a lazer, mobilidade e cuidados com a casa. Executivos do setor têm indicado, de forma indireta, que o desafio está em equilibrar a queda nas compras por impulso com ofertas que atendam às necessidades práticas do dia a dia.
Diante desse cenário, é importante que as empresas de varejo ajustem suas estratégias comerciais e de comunicação para o período. Redes como Magalu e Carrefour reforçaram, segundo declarações institucionais e reportagens setoriais, ações promocionais concentradas em janeiro, combinadas com benefícios como descontos agressivos, frete facilitado e parcelamento. No caso do varejo alimentar, a estratégia passa por destacar produtos de maior recorrência e preços mais acessíveis, alinhando a comunicação a um contexto de orçamento mais restrito. A expectativa, de acordo com análises do setor, é que a retomada gradual do consumo comece a se desenhar a partir de março, impulsionada por datas como a Páscoa.
Além das promoções, o início do ano também é visto como um momento de ajuste fino nas estratégias de mídia e mensuração. Empresas do setor têm destacado a importância de otimizar canais, investir em formatos mais segmentados e personalizar mensagens de acordo com diferentes perfis de consumidores, usando ferramentas como TV conectada e aplicativos de mensagem. A lógica é combinar ações de curto prazo que gerem conversão imediata com iniciativas de médio prazo que fortaleçam relacionamento e recorrência, preparando o terreno para um desempenho mais consistente ao longo do ano.