SXSW debate o futuro das redes sociais: descentralização, privacidade e conexão humana

No South by Southwest (SXSW), evento que há décadas antecipa tendências tecnológicas e culturais, o debate sobre o futuro das redes sociais revelou um caminho que se afasta dos modelos tradicionais baseados em algoritmos de recomendação e monetização por publicidade. Especialistas como Ev Williams (ex-Twitter) e Meredith Whittaker (Signal) apontaram para um futuro onde plataformas descentralizadas, maior controle sobre dados e interações mais genuínas podem redefinir a experiência digital.

O modelo atual das redes sociais prioriza a retenção do usuário a qualquer custo, impulsionando conteúdos que geram engajamento emocional — muitas vezes por meio da polarização e da desinformação. O problema é que esse sistema compromete tanto a privacidade dos usuários quanto a qualidade das interações sociais. Alternativas descentralizadas, como o Bluesky, de Jay Graber, e o Signal, liderado por Whittaker, propõem uma abordagem diferente, onde os usuários têm mais controle sobre o conteúdo que consomem e sobre como seus dados são utilizados, sem a intermediação de grandes corporações que lucram com publicidade segmentada.

A descentralização também significa novas formas de governança. Em vez de um único algoritmo ditar o que é visto, redes abertas permitem que os próprios usuários escolham como organizar seu feed e quais regras seguir. Frank McCourt, do projeto The People’s Bid, defendeu que esse modelo pode trazer mais transparência e segurança, além de combater a manipulação de informações e o uso excessivo de bots. A ideia é reconstruir o espaço digital para que ele priorize conexões reais e não apenas a maximização do tempo de tela.

No entanto, essa transição exige desafios técnicos e culturais. Para que as redes sociais descentralizadas ganhem força, será preciso convencer os usuários a migrar para novas plataformas e, ao mesmo tempo, desenvolver modelos de negócios sustentáveis que não dependam da exploração de dados. O SXSW deixou claro que a mudança já começou: enquanto gigantes como Meta e X evitam esses debates, startups e projetos independentes avançam com propostas concretas. Se essas iniciativas conseguirem escalar, poderemos ver um futuro digital menos controlado por poucas empresas e mais alinhado aos interesses dos próprios usuários.