O mercado de apostas online no Brasil vem ganhando força, movimentando bilhões de reais e transformando os hábitos de consumo. A lógica por trás desse crescimento é o que especialistas chamam de “economia do retorno”: muitos consumidores brasileiros optaram por direcionar parte de seus gastos para apostas, na esperança de obter um retorno que permita o acesso a produtos e serviços de maior valor, que de outra forma não estariam ao seu alcance.
Dados do Banco Central mostram que, atualmente, entre R$18 bilhões e R$21 bilhões por mês são transferidos via PIX para plataformas de apostas, recursos que deixam de ser gastos em outros setores, como alimentação, transporte e lazer.
Esse fenômeno não é novo no Brasil, onde o jogo sempre teve um papel importante na cultura popular. No entanto, a chegada das apostas esportivas e online mudou o cenário, tornando-as mais acessíveis e criando uma sensação de controle sobre os resultados, especialmente em esportes como o futebol. O comportamento de consumo reflete essa nova realidade, onde parte do orçamento familiar é direcionada para apostas, na expectativa de ganhos que possam proporcionar acesso a produtos premium, normalmente fora do alcance da maioria dos consumidores.
O impacto econômico desse movimento é significativo. Estima-se que R$66,8 bilhões, ou 54% do volume apostado, deixem de ser gastos em despesas de consumo das famílias. Setores como alimentação e lazer são especialmente afetados, com uma diminuição considerável nos gastos. Mesmo que o retorno financeiro das apostas não seja garantido, muitos consumidores aceitam sacrificar a qualidade de consumo imediato em troca da promessa de um ganho futuro que permita o acesso a um padrão de vida superior, ainda que momentaneamente.
Além do aspecto financeiro, a “economia do retorno” também mexe com o lado emocional e social dos consumidores. A ideia de ganhar através das apostas gera uma sensação de validação e pertencimento, especialmente em contextos de grupos sociais onde o sucesso nas apostas é valorizado. Essa dinâmica cria um ciclo de expectativa e recompensa, que impacta não apenas o comportamento de consumo, mas também a forma como as marcas devem se comunicar com esses públicos. O envolvimento com apostas online, portanto, não é apenas uma questão financeira, mas também emocional, o que torna a segmentação e a abordagem de marketing ainda mais complexas, já que o consumo no país está sendo redefinido.